D. Pedro IV

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terça-feira, dezembro 27, 2005

Diogo Alves


Sabias que:
Diogo Alves foi um criminoso? Ele escondia-se no Aqueduto das Águas Livres e, quando alguém passava, agarrava essa pessoa, roubava-lhe tudo o que tinha e, para não ser denunciado, atirava-a do Aqueduto abaixo.
Viveu entre os séculos XVIII e XIX e foi enforcado em 1841.

Este post é da autoria de Maia (nome fictício), aluna do 6º C da Escola EB 2, 3 D. Pedro IV, em Queluz.

Os Crimes de Diogo Alves


Os Crimes de Diogo Alves
“Filme que retrata a vida de Diogo Alves, um espanhol que veio viver para Lisboa e que de 1836 a 1839 perpetrou vários crimes hediondos, muitos deles instigado pela sua companheira Parreirinha. Foi por fim apanhado pelas autoridades e sentenciado à forca. O enredo foi baseado num dos folhetim dedicados aos "Criminosos Célebres" portugueses.”
http://www.amordeperdicao.pt/basedados_filmes.asp?filmeid=499

“A rodagem decorreu por três semanas, e os custos ascenderam a duzentos mil reis. Estreada no Salão Trindade, inaugurou entre nós a venda de bilhetes. Apesar do sucesso, a empresa Nandim de Carvalho suspendeu as sessões, por temer que afastasse a acostumada frequência burguesa.”
http://www.instituto-camoes.pt/cvc/cinema/filmes3.html

"
Os Crimes de Diogo Alves , datado de 1911, (…) o mais antigo filme de ficção português com cópia conservada. Rodado em três semanas e com um orçamento de duzentos mil réis, este filme recria os crimes de Diogo Alves, homem que entre 1836-39 aterrorizou a cidade de Lisboa, lançando as suas vítimas do alto do Aqueduto das Águas Livres para o Beco da Barbadela.”
http://www.amordeperdicao.pt/noticias_solo.asp?artigoid=301

quarta-feira, dezembro 07, 2005

Sangrias

As chamadas pestenenças prolongavam-se por meses, algumas por anos a fio, como a de 1497. Elas sangraram tanto o tecido social que, até à primeira metade do século XV, a população portuguesa teve uma queda demográfica constante.
Mas não só a peste “sangrava”…Era prática corrente os médicos “sangrarem” também…Que sangria desatada!

MS. Ashmole 1462. Miscelânea de textos médicos e erbário em latim. Inglaterra (séc. XII, fol. 9v).
Na parte superior desse belo documento médico medieval, três pacientes em repouso, deitados; abaixo, duas figuras de pé. Cinco estão despidos, um semi-vestido e outro (abaixo), vestido. Esses sete homens estão marcados com pontos vermelhos, indicando o processo de cauterização ou sangria com sanguessugas. Na Inglaterra o médico era um “sanguessuga”. Os textos ao lado de cada paciente dizem a causa: de cima para baixo, elefantíase, asma, febre terçã e dor de dente. Repare que o que está vestido tem os pontos de cauterização nas orelhas.”

http://www.ricardocosta.com/pub/corpoealma.htm

sábado, novembro 26, 2005

É milagre! É milagre...SANGRENTO!


São Januário, Mártir(+ Pozzuoli, Itália, 305)
São Januário (também conhecido como San Gennaro), bispo de Benevento, cidade situada a 70 km de Nápoles, foi martirizado durante a perseguição de Diocleciano, juntamente com seis clérigos de sua diocese: Sósio, Próculo, Festo, Desidério, Eutíquio e Acúrcio. Lançados ao fogo, as chamas, milagrosamente, não os feriram. Expostos às feras, estas também os deixaram ilesos. Foram, por fim, decapitados..

Uma ampola, contendo o sangue de Januário, foi conservada com respeito e, até hoje, 17 séculos depois, liquefaz-se milagrosamente três vezes por ano, em datas certas dos meses de Maio, Setembro e Dezembro. Diante dos olhos de toda a multidão reunida, o sangue deixa o estado sólido e passa ao líquido, crescendo consideravelmente de volume e tomando a coloração avermelhada do sangue recém-derramado.

www.santododia.com.br/biograf13/januario.htm

Estou curioso, muito curioso! Que aves eram essas que Vasco da Gama viu?


E que ele e os seus navegadores descreveram assim: "(...) há umas aves que são tamanhas como patos, e não voam porque não têm penas nas asas, e chamam-lhes sotilicairos (...); as quais aves zurram como asnos".
Estavam a caminho da Índia, na ponta meridional de África, na Angra de S. Brás.
Vasco da Gama não ficou conhecido por este acontecimento, mas sim por ter chegado à Índia, por mar, em 1498, ligando 3 continentes: Europa, África e Ásia.
Ou, dito de outra maneira, por ter "descoberto" o Caminho Marítimo para a Índia (viagem entre 1497 e 1499).
Ainda assim, que aves eram aquelas do continente quente (???) ?

quinta-feira, novembro 24, 2005

Crime, disse ela - 1ª parte


João Maria José Francisco Xavier de Paula Luís António Domingos Rafael nasceu em Lisboa, a 13 de Maio de 1767 e faleceu na mesma cidade, a 10 de Março de 1826, estando sepultado no Mosteiro de São Vicente de Fora. Ora foi precisamente durante as obras de restauro deste mosteiro que, cento e oitenta e cinco anos depois, em 1993 portanto, o arqueólogo Fernando Rodrigues Ferreira descobriu, no chão esventrado da capela dos Meninos de Palhavã, um pote de porcelana contendo as vísceras e o coração de D. João VI, falecido em 1826, embalsamado e, dias depois, depositado no Panteão dos Reis de Bragança, naquele mesmo mosteiro.
Feitas as análises laboratoriais ao achado, para além de virem confirmar as fortes suspeitas, que sempre existiram, de que o rei teria sido assassinado, constatando-se ter sido uma excessiva dose de arsénico o agente causador da sua morte aos cinquenta e nove anos de idade, verificou-se também, entre os muitos resíduos já pulverizados que se encontravam nos intestinos de D. João VI, a existência de pequenos fragmentos de um fruto que, após análise mais rigorosa efectuada no Laboratoire National de Monteplier, em França, se concluiu, irrefutavelmente, tratar-se de nêspera.
O envenamento deverá ter sido feito progressivamente, pois algumas semanas antes de morrer D. João VI já se encontrava bastante doente, tendo mesmo entregue o governo a uma Junta de Regência chefiada por sua filha, a Infanta D. Isabel Maria.




O espadachim e o máximo da realização individual

Ao falar de espadachins lembramo-nos logo dos três mosqueteiros de Alexandre Dumas, chapelões e floretes traçando trajectórias mirabolantes, em vénias cavalheirescas ou em demonstrações exímias na arte da guerra.

Também no Oriente, um homem com espada na mão, representou até pelo menos ao século XVII (nesta data os Samurais foram começando a perder o seu anterior prestígio, após a introdução da primeira arma no Japão pelos portugueses…) o máximo da realização individual. Vários espadachins percorriam vastas regiões, alguns simplesmente procurando um adversário famoso como forma de promoção, outros realmente buscando aperfeiçoar sua técnica.

Ainda hoje, a arte de tentar tocar sem ser tocado, é exercida habilmente por alguns, não já com a espada, florete ou sabre, mas com a caneta (agora já nem caneta é, é na máquina…) … Não corresponderá ao máximo da realização individual, mas andará lá perto…E além disso, a caneta tem mais força que a espada… (alguém pronunciou esta sentença célebre).

Assim é o nosso Espada xim

Curiosidades da Memória

Viver em Lisboa nos anos 60, ao lado do Hospital da Marinha, que é como quem diz ao lado da Feira da Ladra, deixa muitas memórias, ou deixa muitas histórias...
O pequeno almoço tinha sempre pão fresco (curiosamente quente), acabado de cozer. À noite deixava-se o saco de pano pendurado na porta do prédio, com um bilhete a dizer: "Sr. Vicente, são doze papo-secos". E de madrugada lá vinha o Vicente, de cesto fundo de verga, aos ombros, abastecer de papo-secos (carcaças) os dorminhocos esfomeados.
Quanto ao leite, o procedimento era semelhante: à noite ficava a garrafa (ou garrafas) de vidro, vazia, à porta. De manhã estava lá uma cheia, com uma tampinha fininha de folha metálica, fácil de retirar.
Pagava-se à semana, ou ao mês, creio eu!
Nos arredores de Lisboa, as coisas eram diferentes...
Para o leite, nada como ir directamente à vacaria, aqui ,onde não digo, era a Vacaria do Canas... Vasilha na mão, passeio nos pés, e lá íamos nós comprar o leitinho para de manhã beber.
Depois era chegar a casa e fervê-lo, para matar a bicharada...
E mais não digo que tenho leite ao lume e... pode entornar-se!

quarta-feira, novembro 23, 2005

Ainda os bilhetes da Carris

Voltando aos bilhetes da Carris, eles serviram também para fazer publicidade....



Mas não só!

No período que se seguiu à revolução de 25 de Abril de 1974, os bilhetes continham verdadeiros manifestos políticos:

Botas em Folha de Papel


Se são curiosidades da História, ou só coisas da Memória, não sei, não me lembro lá muito bem.
Tenho uma ideia de que, quando era miúdo e tinha aulas de História, num liceu antigo, nos anos sessenta dos anos de novecentos, nem toda a gente comprava o calçado em sapatarias...!
Era caro e faltava o hábito de o fazer... Sei que ia ao sapateiro que trabalhava num vão de escada, com banca para rua (quase medieval)...
Sei que me mandava pôr o pé em cima de uma folha de papel..., sei que me tirava o molde e me mandava voltar algum tempo depois.
E depois eram sapatos, botas ou sandálias, conforme a estação do ano, feitas à mão, artesanalmente, de grande qualidade...
Bonitas ou feias? Não sei! Na altura, não muito bonitas porque eram diferentes das dos meus amigos clientes das sapatarias. Hoje, muito belas porque ficaram na minha memória, de miúdo..., o formato e tudo!
E isto tudo para que a memória de certos episódios não se esqueça!

terça-feira, novembro 22, 2005

À Descoberta da Sardinha Assada no Séc. XVIII...


"(...) Uma fumarada gordurosa, com mau cheiro, densa, vai saindo lentamente de uma porta, vai saindo até tapar a vista de uma parte do edifício em frente do qual se enovela e se espalha.
Defronte, um grupo numeroso de pessoas de ambos os sexos atravanca a passagem em grande agitação e movimento: ouve-se gritos, que aqui e além se cruzam.
Todo este espectáculo me leva a crer tratar-se de um incêndio. Aproximo-me, furo por entre a multidão, e depara-se-me um fogareiro, uma grelha, uma chaminé, um homem enfarruscado e oleoso, ajudado por uma mulher suja e de aspecto repelente. Ali se frita e assa sardinhas, enquanto aquele amontoado de pessoas espera que elas estejam prontas para cada uma levar o quinhão que pretende.
E a isto se chama Lojas de Frigideiros. São abarracamentos ambulantes que se encontram espalhados por toda a Lisboa, nas ruas, nas praças, nas portadas, principalmente à portas das tabernas. (...)
Estas vendas constituem um grande recurso e comodidade para o povo, que ali encontra prontos e por um preço mínimo o almoço, o jantar e a ceia. Cada indivíduo, munido já do seu pão, compra cinco ou seis sardinhas fritas ou assadas pelo preço de um soldo, ou dezoito dinheiros, e ali mesmo come, ficando jantado. Se dispõe de mais algum dinheiro, pede um copo de vinho na taberna e fica satisfeito. (...)
Mas se para o povo estes estabelecimentos constituem uma grande comodidade, a sua multiplicação, para os que têm a desgraça de lhes serem vizinhos, tem muitos inconvenientes; incomodados como são pelo fumo, pelo cheiro, três vezes por dia aturdidos com o barulho ensurdecedor da multidão que os procura. (...)
Tais lojas tornam-se assim o terror dos inquilinos das casas suas vizinhas, e por isso todos evitam habitar nos sítios onde elas estão instaladas. A precaução, porém, é inútil. A Loja do Frigideiro, que é ambulante e desmontável, muda de lugar num instante, e logo vais estabelecer-se numa portada ou debaixo de uma janela, em sítio onde antes nunca existira estabelecimento semelhante. (...)"
Carrére, J.B.F., Panorama de Lisboa no ano de 1796, Lisboa, Biblioteca Nacional, 1989

segunda-feira, novembro 21, 2005

" O triunfo da vontade"



Só para "Os vagabundos do tempo"

A marquesa de Marteuil ao viscondede Valmont - Parte I

"(...) Os meus principios, repito-o, e digo-o deliberadamente, pois eles não são, como o das outras mulheres, colhidos ao acaso, aceites sem análise e seguidos por hábito; são o fruto das minhas próprias reflexões. Criei-os e posso dizer, que são a minha obra.
Entrando na sociedade num tempo em que, criança ainda, as circunstâncias me condenavam ao silêncio e à inanição, delas soube tirar proveito para observar e reflectir. Enquanto me julgavam distraída ou estouvada, não dando ouvidos à verdade dos ensinamentos que me dispensavam, eu recolhia cuidadosamente tudo o que procuravam esconder-me.
Esta curiosidade útil, ao mesmo tempo que servia para me instruir, ensinava-me a dissimular. Obrigada muitas vezes a esconder dos olhos dos que me rodeavam os motivos que me chamavam a atenção, experimentei pousar os meus no que me agradasse.; o resultado foi desde logo ter adoptado aquele olhar sem constrangimento que o Visconde tantas vezes me gabou. Animada por este êxito, tratei de regula, pelo mesmo processo, os diversos movimentos do meu rosto. Se sentia qualquer apreensão, estudava-me até sentir um ar de serenidade, ou mesmo de alegria; levei o meu zelo ao ponto de a mim própria causar dores involuntárias para durante esse tempo procurar a expressão do prazer. Com o mesmo cuidado e maior custo, exercitei-me a reprimir os sintomas de uma alegria inesperada. Foi assim que consegui tomar sobre a minha fisionomia aquele domínio que algumas vezes admirou em mim.
(..) Não me satisfazia o não me deixar penetrar: divertia-me mostrar sob formas diferentes. Dominando os meus gestos, observava as minhas falas. Uns e outros eram regulados segundo as circunstâncias, ou segundo as minhas fantasias. Desde então, a minha maneira de pensar pertence-me, e não mostrei nunca senão o que me era útil deixar ver.
Este trabalho trabalho sobre mim própria fixou a minha atenção sobre a expressão dos rostos e o carácter das fisionomias; e adquiri esta mirada penetrante, na qual a experiência todavia me ensinou a não confiar inteiramente, mas que em todos os casos raramente me enganou."
20 Setembro 17**
In " Ligações Perigosas" de Choderlos de Laclos

Ps.Espero não me ter enganado e profanado o Blog
Excomunguem-me,se for o caso
Raspoutine





domingo, novembro 20, 2005

O rio do esquecimento



A lenda do rio Lima é referida por autores clássicos como Tito Lívio, Suetónio e Estrabão, que lhe chamavam Límia, o "rio do esquecimento". Alguns identificam-no, até, com o rio Lethes, um rio lendário que corria nos infernos, e cuja água apagava a memória de quem o atravessasse. Esta lenda terá sido propagada pelos Calaicos, povo que habitava as terras de Entre Douro e Minho, ou seja, a zona sul da antiga Calécia. Para este povo, todos os rios eram sagrados e habitados por divindades ou génios e não deviam ser transpostos sem que previamente se lhes pedisse autorização e se lhes prestasse homenagem. Não se sabe se os Calaicos acreditavam ou não no esquecimento; no entanto, atravessavam muitas vezes o rio, pelo que é de crer que criaram ou usaram a lenda como elemento dissuasor ou julgavam que o ritual da travessia, fosse ele qual fosse, os tornava imunes. A primeira travessia do Lima pelas legiões romanas ocorreu no ano de 135 a. C., sob o comando do cônsul Décimo Júnio Bruto.

" ...A pouca distância da foz, o exército romano estava parado, em formatura, virado para o rio. O silêncio reinava também naquela margem, mas era um silêncio ameaçador, um prenúncio de motim. (...). Crescera gradualmente à medida que se aproximavam do Límia e que se espalhava entre eles a superstição semeada pelos prisioneiros calaicos (...). A decisão devia ser tomada já. Em poucos momentos, a recusa transformar-se-ia em revolta (...).
Bruto endireitou o corpo. Acicatou o cavalo e conduziu-o até junto do signífero. Com um gesto brusco, arrancou-lhe das mãos a insígnia e dirigiu-se para o rio. Silêncio, silêncio mortal. Só o chapinhar das patas do cavalo quando feriram a água. Não se apressou, deixou que os homens sofressem a expectativa. Estava a meio do rio, vencera três quartos de distância, estava na margem direita do Límia.
Forçou o cavalo a dar meia volta, para encarar as legiões. Então, tomou um largo fôlego e ergueu a voz, treinada para se fazer ouvir no campo de batalha. Não fez um discurso. Simplesmente, começou a chamar os comandantes dos manípulos pelos seus nomes - tinha todos os nomes na memória, era um bom general.
No outro lado, os homens ouviram-no. Bruto não precisou de terminar a chamada; muito antes disso, uma formidável aclamação abafou a sua voz. As trompas soaram dando ordem de marchar.
Os Romanos atravessavam o rio."

AGUIAR, João, Uma deusa na bruma, Lisboa, Edições ASA, 2003

quinta-feira, novembro 17, 2005

Canhotas e outras bruxas


Ser canhoto ou esquerdino significa ter mais habilidade com a mão esquerda do que com a mão direita. Mas esta característica tão simples teve, ao longo do tempo, implicações muito importantes a nível da sociedade e da religião: de facto, "canhoto" é também o mesmo que demónio, daí a utilização da expressão "cruzes, canhoto!"
Embora inicialmente a palavra latina "sinister", que queria dizer "esquerdo", significasse "afortunado", as línguas francesa, espanhola e italiana aplicam à palavra canhoto um significado pejorativo: esquerda em italiano diz-se "sinistra" e a palavra francesa "gauche" (esquerdo) pode aplicar-se também a algo incorrecto ou desajeitado, no sentido idêntico ao da palavra portuguesa "canhestro", que é sinónimo de canhoto. Na religião muçulmana, houve mesmo alguns seguidores de Maomé que afirmaram que Alá tinha duas mãos direitas. Excepção à regra é o grego, que foi o único a favor da esquerda, no que se refere ao sinónimo. O termo grego que designa a mão esquerda, tem o sentido de “melhor” e a mesma origem da palavra "aristocracia".
Na época medieval, as mulheres canhotas foram alvo de especial perseguição, tornando-se os bodes expiatórios perfeitos para aplicar a qualquer pessoa que tivesse um comportamento diferente do "normal". A propaganda religiosa sobre o "pecado" enraizou-se em massa nas comunidades, dando origem a uma rede de intrigas que envolvia também as velhas, as viúvas, as loucas, as solitárias, as promíscuas e as parteiras e praticantes da medicina popular. No caso das canhotas, as acusações de bruxaria baseavam-se na relação estabelecida nos textos antigos entre o lado esquerdo e o pecado e a tentação.

Bibliografia:
SANTOS, Manuel Coelho dos, O direito de ser canhoto, Lisboa, Quarteto Editora, 1991
NOGUEIRA, Carlos Roberto, As práticas mágicas no Ocidente Cristão, Rio de Janeiro, Editora Ática, s.d.

terça-feira, novembro 15, 2005

Selo Adesivo

Antes da utilização do selo postal, as cartas eram pagas pelos destinatários e o valor a pagar dependia do peso da carta e da distância. Este processo complicado causava vários problemas, como a recusa das cartas pelos destinatários, assaltos aos carteiros , ou mesmo o "desvio" para o bolso dos carteiros do dinheiro pago pelos destinatários das cartas.

Em 6 de Maio de 1840, por iniciativa de Rowland Hill, começou a circular, na Grã-Bretanha, o primeiro selo adesivo, o "Penny Black", com a imagem da rainha Vitória.
Procurava-se, deste modo, dar solução aos problemas descritos.

Em Portugal, os primeiros selos (da autoria de Francisco de Borja Freire) são posteriores a esta data e foram postos em circulação a 1 de Julho de 1853 - selos de 5 e 25 reis. Os selos de 100 e 50 reis entraram em circulação a 2 e 21 de Julho, respectivamente.
Eram selos em relevo representando, à semelhança dos primeiros selos ingleses, a imagem da rainha - D. Maria II.
As taxas aplicadas dependiam do peso das cartas, mas o factor distância desaparecia, sendo os custos iguais em todo o território do Continente e Ilhas.

Cartas do Continente e Ilhas:

Até 3 oitavas de onça - 25 reis;
Até 5 oitavas de onça - 50 reis;
Até 7 oitavas de onça - 75 reis .

O preço subia 25 reis por cada duas oitavas de onça, sendo que a onça "correspondia a cerca de 29,691 gramas".

A consultar:
http://www.postalheritage.org.uk/history/highlights/1800a.html
http://www.ctt.pt/CTTsite/ctt_selofan_02a.jsp?itemmenu=106&local_id1=116&opcao=112_
http://pascal.iseg.utl.pt/~ncrato/Expresso/InvencaoSelo_20030628.pdf
Selos Postais, Portugal, Açores, Madeira e Pré-Filatélicos, Porto/Lisboa, AFINSA, 2004

Com a colaboração preciosa de Pedro Inácio, filatelista convicto, amigo da gente e pai de 3 Inácios curiosos!

segunda-feira, novembro 14, 2005

Bom apetite!

TORTA DE LIMÃO

Ponha-se a cozer em duas agoas fervendo huma duzia de limoens em talhadas delgadas com toda a grainha fora, até que não amarguem. Logo acabem-se de cozer em arratel e meio de açucar em ponto; como estiver a calda grossa, ponha-se a esfriar, depois que a torta estiver feita de folhado metão-lha dentro, ponhão-lhe huma camada de talhadas de cidrão por cima, fechem-na, e depois de cozida, mandem-na à meza com açucar.

Do Livro de Receitas do Convento dos Cardaes



Nota: O Convento dos Cardaes foi mandado construir por D. Luísa de Távora, em 1677, para nele acolher as religiosas Carmelitas Descalças, a quem pertenceu até 1834, altura em que foi nacionalizado. O Convento é um exemplo característico das artes decorativas do Barroco português - talha, mármores enxaquetados, azulejaria de revestimentos. Desde 1877, o Convento é dinamizado por uma obra Social e Cultural, orientada pelas Irmãs Dominicanas. O Convento fica na Rua do Século, 123, em Lisboa, e está aberto ao público.

domingo, novembro 13, 2005

Espadachim


Segundo as enciclopédias, o espadachim é aquele que anda sempre armado de capa e espada, em brigas constantes. Esta atitude só podia pertencer a um membro da nobreza, grupo social que tinha como única ocupação lutar. Para ser um bom espadachim, era muito importante possuir uma espada de qualidade, bem pontiaguda e de folha cortante. Foram os romanos que deram grande utilização à espada, transformando a táctica de guerra ao privilegiar o combate corpo a corpo, mas, com o passar do tempo, também as espadas se alteram: na época medieval, as espadas curtas deram lugar aos grandes e pesados montantes, que tinham que ser manejados com ambas as mãos e transportados pendurados das selas. A evolução no armamento reduz o comprimento das espadas, a favor de folhas mais flexíveis e aguçadas. A espada foi sempre um elemento de grande valor simbólico e a sua posse era privilégio dos nobres.
Como espadas famosas temos Excalibur, a espada de Artur, rei dos Bretões, e Durandal, a espada de Rolando, o cavaleiro francês que derrotou os mouros na batalha de Roncesvales. Os mais famosos espadachins de sempre foram imortalizados na literatura e no cinema: Robin dos Bosques, o nobre saxão que defende os camponeses ingleses da cobiça de João Sem Terra, o usurpador; os três mosqueteiros do rei Luís XIII, o seu jovem pupilo D'Artagnan e Zorro, o defensor da Califórnia oprimida.


Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, volume X, Lisboa -Rio de Janeiro, Editorial Enciclopédia, s.d.

Lexicoteca, Moderna Enciclopédia Universal, volume VII, Lisboa, Círculo de Leitores, 1984.

Bandeira Nacional - 1910-1911- Imagem e Textos da Época
















A falar é que a gente se entende....

Alexander Graham Bell (1847-1892) é reconhecido, habitualmente, como o inventor do telefone (1876). Oriundo de uma família em que era patente a preocupação com o estudo da voz e dos sons (o avô e o pai interessaram-se por estas matérias), Bell trabalha com surdos, em Boston, abrindo a sua própria escola. Foi também professor da Universidade daquela cidade, a partir de 1873, altura em que é evidente o seu interesse pela telegrafia e os “métodos” de transmitir sons.
Em 1876, finalmente o telefone !

Antonio Meucci (1808-1896) , italiano, é por muitos outros considerado o verdadeiro inventor do telefone. Depois de se ter estabelecido em Nova Iorque, por volta de 1850, terá desenvolvido o primeiro “telefone”, um dispositivo que transformava impulsos eléctricos em sons e que instalou em 1857, ligando a sua fábrica de velas de cera ao escritório. O Nome? “Telégrafo Falante”!

O Telégrafo


Uns anos antes, Samuel Morse desenvolvera o telégrafo (pedido de patente em 1838 e primeira transmisão em 1844, entre Washington e Baltimore) e inventara um código a utilizar nas transmissões, composto por pontos e traços, o famoso código Morse que ainda hoje se utiliza.

Vivia-se uma época em que se procurava tornar as comunicações mais fáceis!

Galeria Telefónica

1895, 1900, 1915


1920, 1930, 1930

O Pincel


Os longos meses passados a bordo de caravelas e naus eram penosos. Sujeitos às tempestades ou às quentes calmarias, os marinheiros amontoavam-se no convés, pois os camarotes, em número reduzido, destinavam-se aos tripulantes mais importantes (capitão, pilotos, contramestres) e aos passageiros de mais elevada condição social. Não havendo instalações sanitárias a bordo, como também não as havia em terra, as necessidades eram feitas, tudo leva a crer, da borda do navio para o mar, após o que os marinheiros se limpavam a um trapo atado a um pau - o pincel.
O pincel estava sempre mergulhado no mar; se algum marinheiro menos afortunado caía às águas, "agarrar-se ao pincel" era a única saída possível, que devia ser encarada com alguma (compreensível) relutância. Será por isso que um pincel é, ainda hoje em dia, uma tarefa em que ninguém quer pegar?
Nas caravelas e naus portuguesas também podíamos encontrar um objecto que já era habitual em muitas casas: o bacio, ou camareiro, como também se dizia. Não é possível determinar-se desde quando seria feito esse uso, mas há conhecimento de Vasco da Gama os ter levado a bordo, na primeira viagem à Índia, pois em Melinde ofereceu três bacios ao Rei.

MENEZES, José de Vasconcellos e, Armadas portuguesas - apoio sanitário na época dos Descobrimentos, Lisboa, Academia da Marinha, 1987.

Bilhete Operário


Remexendo nestas minhas memórias de Espada Xim, lá fui encontrar, a um canto, a lembrança dos bilhetes operários que se utilizavam nos eléctrivos da Carris, nos anos em que era menino.
Os bilhetes operários utilizavam-se em eléctricos devidamente identificados como Carros Operários, tinham um preço mais reduzido e eram de ida e volta. Para beneficiar da utilização destes bilhetes mais baratos, as deslocações tinham de ser feitas em horários determinados: entre as 5 e as 8 da manhã e entre as 17 e as 20 h.
Os primeiros carros destinados a operários terão começado em 1935 e em apenas algumas carreiras, mas mantiveram-se, com as normais actualizações de preços, até aos anos 70, do séculoXX.




Nota importante: Este post nao teria sido possível sem a colaboração do Sr. Álvaro Dias, autor do site http://bilhetes.no.sapo.pt/index.htm (um site que vale a pena visitar), que nos autorizou a utilizar as imagens e nos deu preciosas informações. Por tudo isso, obrigado.

Agradecimentos são devidos também aos avós dos meus filhos, trabalhadores lisboetas e utilizadores dos referidos Carros Operários.


sábado, novembro 12, 2005

Bancos, bancas, banqueiros e bancarrota


A partir dos finais do século XI, as necessidades do grande comércio vão exigir a circulação de moedas de maior valor. Foi nas cidades comerciais de Itália que se reiniciou a cunhagem de moeda de prata, e, mais tarde, de ouro. A variedade de moeda em circulação continua a ser grande; para estabelecer a equivalência entre as moedas começaram a surgir, em muitas cidades e nas feiras mais importantes, os cambistas, em geral originários das cidades italianas.
O nome de banqueiros era inicialmente dado aos cambistas, que, utilizando uma banca ou bancada (espécie de balcão improvisado), procediam ao câmbio das moedas. Mais tarde, porém, passaram a realizar outras operações monetárias, aproximando-se progressivamente a sua actividade do sentido actual que damos às expressões banco e banqueiro. A palavra bancarrota, que utilizamos quando uma empresa vai à falência, tem a ver também com os cambistas. Sempre que um cambista, cheio de dívidas, não tinha meios para continuar a sua acção, partia a banca onde trabalhava e que era o símbolo da sua actividade: banca partida diz-se, em italiano, banca rota.

DINIZ, Maria Emília, TAVARES, Adérito, CALDEIRA, Arlindo, História 7, Lisboa, Editorial O Livro, 2002.

sexta-feira, novembro 11, 2005

O Mistério do Tubo Flamejante! Uma História de Atirar...



Conta Fernão Mendes Pinto, em A Peregrinação, que desembarcou no Japão, na ilha de Tanegashima (Tanixumá), na companhia de Cristóvao Borralho e Diogo Zeimoto. À falta do que fazer, passavam o tempo na caça, na pesca e a ver os templos da região.
Diogo Zeimoto, tido como bom atirador, num dia em que se aproximaram de um paul, atirou sobre as aves que viu, tendo matado 26 marrecos (patos).
Os que a este prodígio assistiram informaram o Nautaquim (príncipe da ilha). " O Zeimoto, vendo-os tão pasmados e o nautoquim tão contente, fez perante eles três tiros em que matou um milhano (milhafre) e duas rolas".
Zeimoto acabou por "oferecer" a espingarda ao Nautaquim e, a pedido deste, ter-lhe-á ensinado a produzir pólvora...
O sucesso teria sido tal que, quando os Portugueses partiram, cinco meses depois, já existiriam mais de seiscentas espingardas.

quinta-feira, novembro 10, 2005

A paz esteja contigo...


...É o que que queremos dizer, quando falamos de salamaleques; de facto, esta palavra é a adaptação para português da expressão árabe as-salam-alaik, que significa precisamente "a paz esteja contigo", e que costuma ser acompanhada de uma grande reverência.
Oxalá é outra adaptação do árabe, desta vez da expressão Inch'Allah, ou seja, Deus Queira.
Estas e outras palavras devem-se não só aos muitos séculos de permanência dos muçulmanos na Península Ibérica, mas também aos contactos dos portugueses com mercadores turcos e muçulmanos na Índia, com quem rivalizaram na disputa do comércio das especiarias orientais. A expressão "salamaleque" encerra até uma certa carga depreciativa, pois os mercadores muçulmanos eram muitas vezes acusados do uso exagerado de saudações e reverências, enquanto tentavam, por todos os meios, prejudicar os negócios dos portugueses.

Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, volumes XIX e XXVI, Lisboa - Rio de Janeiro, Editorial Enciclopédia, s.d.

terça-feira, novembro 08, 2005

Câmara



Domus Municipalis - Bragança
"Esta construção da arquitectura civil românica é uma das poucas que permanecem intactas.
Deve-se este facto a ter sido construída sobre uma cisterna abobadada, sendo o telhado utilizado para recolher a água nela guardada. Este sistema ainda hoje se conserva. Foi também, é claro, utilizada como sala de reuniões da assembleia municipal.
Noutras povoações funcionavam ao ar livre, nos adros ou nos claustros das igrejas, numa praça, debaixo de um carvalho, etc. Só no século XIV começaram a reunir-se em recintos fechados, quando o número de participantes das reuniões se foi reduzindo. Daí o nome de 'câmara', que acabou por prevalecer para designar o edifício onde se reunia o grupo de magistrados do concelho.
De facto, esta construção data, sem dúvida, do princípio do século XIV."
Matoso, José (Dir.), História de Portugal,s.l., Círculo de Leitores, 1993, II volume, p. 227

A Guilhotina!


A guilhotina é um aparelho de decapitação mecânica, inventado no período da Revolução Francesa. É constituída por uma armação rectangular de cerca de 4 metros de altura onde é suspensa uma lâmina oblíqua, com perto de 40 kg, que uma vez libertada, decapita o sentenciado à morte.
Há dúvidas quanto ao seu inventor, sendo a invenção atribuída quer a Joseph Ignace Guillotin (médico), quer a Antoine Louis (secretário da academia de medicina), quer aos dois conjuntamente. Certo é que Guillotin defendeu na Assembleia um método de execução "mais humano", por meio de um "mecanismo simples" (1791).
A Louis parece ter sido dada a tarefa de construir o protótipo, que depois de experimentado em carneiros e cadáveres, foi utilizado, pela primeira vez, num sentenciado à morte em 25 de Abril de 1792, na "Place de Gréve", em Paris. Era a primeira decapitação mecânica! O primeiro decapitado por este processo chamava-se Nicolas-Jacques Pelletier...
A guilhotina, contudo, teve vários nomes, relacionados com os seus possíveis inventores. Aqui ficam dois, no original: "La Louisette...La Guillotine"

O Vinho dos Mortos


Na época das Invasões Francesas (1807-1810), as populações escondiam os seus bens, tentando assim evitar a sua pilhagem e roubo por parte dos invasores. Na zona de Boticas, no Norte, durante a segunda invasão, a população enterrou o vinho, esperando que não fosse encontrado... Muito mais tarde, depois da retirada dos franceses, desenterraram-no sem grande esperança de que ainda estivesse bom para ser bebido.
Mas não só estava bom, como a sua qualidade tinha melhorado...
Depois disso tornou-se tradição enterrar o vinho durante algum tempo (1 ou 2 anos), mantendo-se esta tradição até hoje, embora sejam já poucas as pessoas que o fazem.
Informação recolhida aqui e ali!