D. Pedro IV

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domingo, dezembro 09, 2007

O diário da Catarina

Vamos hoje dar início à publicação de mais uma história muito interessante sobre o 25 de Abril feita pela Adriana Maia Dias.
Lembram-se do diário da joaninha?...
Pois então vejam se a sua «trineta» também tem jeito para contar histórias...
Esperemos que gostem tanto como nós gostámos.

12 de Março de 1974

Encontrei ontem o diário da minha trisavó Joaninha, que viveu no tempo das Invasões Francesas. Como gostei da ideia, decidi também escrever um diário.

Nem sei o que hei-de escrever…

15 de Março de 1974

Mais um dia para esquecer! E tudo porque estamos a viver um período de guerra.

Primeiro fui à escola e o meu professor disse que devemos muito a Salazar e a Marcelo Caetano. Ora eu não concordo! Fizeram uma ditadura e querem que eu lhes deva alguma coisa?! Protestei e fui expulsa da aula.

Cheguei a casa e disseram-me que o meu irmão foi para a Guerra Colonial, que é a guerra entre Portugal Continental e as suas colónias. Comecei a chorar.

15 de Março de 1974 (à noite)

A PIDE veio buscar o meu pai. Vão levá-lo para Peniche.

Estou sozinha com a minha mãe. Com o meu avô emigrado, não há homens nesta família.
20 de Março de 1974

Encontrei na rua o meu padrinho, o capitão Salgueiro Maia, que me disse que, em breve, a liberdade vai voltar. “Mudo de nome se isso não acontecer” disse ele.

Vamos lá ver se ele conserva o seu nome…
29 de Março de 1974

Estou farta!

Torturaram o meu pai! E tudo porque ele defende a liberdade que nos roubaram.

Esses tipos da PIDE metem nojo. Que chegue a liberdade!

3 de Abril de 1974

Vou fazer anos no dia 25 de Abril. Quase de certeza que vai ser o meu pior aniversário.

Estou farta da ditadura e da guerra colonial, a vida está difícil. Queremos liberdade!

Tenho andado cansada e triste, mas não vou deixar que a ditadura me vença. “Venham mais cinco”!

Vou lutar pela liberdade!

6 de Abril de 1974

Passei pela sede da PIDE e ouvi uns homens a gritar. Estavam a torturá-los.

Dantes, a minha mãe dizia que havia liberdade a mais. Quero ver o que dirá agora.

10 de Abril de 1974

O meu pai chegou hoje a casa. Fugiu da prisão de Peniche, tal como fez Álvaro Cunhal. Saíram das celas, desceram a muralha e pronto! Já estavam cá fora. Acho que foi assim.

15 de Abril de 1974

O meu padrinho contou-me porque é que me chamo Catarina. O meu nome é este por causa de uma ceifeira (Catarina Eufémia), que morreu porque também defendia a liberdade.

Honra lhe seja feita!

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